Ainda que de maneira “armada”, atleta endossou discurso do qual já foi vítima na carreira e gerou mal-estar
Ronaldinho está, provavelmente, entre os dez maiores jogadores da história do futebol brasileiro. Quando se fala de uma figura capaz de representar a cultura do país no esporte, talvez ninguém supere o Bruxo. É o ícone máximo do “Joga Bonito”.
A imagem dos grandes tempos em Grêmio, PSG, Barcelona e Atlético-MG é o que perdura no imaginário do torcedor. Mas esse saldo positivo ao fim da carreira não ilustra todas as nuances do que foi sua trajetória no esporte.
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R10 zerou a carreira “cedo”, aos 26 anos. Já havia sido campeão da Champions League, da Copa do Mundo e da Bola de Ouro. Ele é, inclusive, um dos únicos seis na história do esporte que conseguiram tal feito.
O que veio a partir de 2006 — a falta de protagonismo com a camisa da Seleção Brasileira, os lampejos no Milan, a saída polêmica do Flamengo, entre outras situações — foi uma queda acentuada que colocou constantemente em xeque o profissionalismo, o compromisso e a determinação do atleta.

É por isso que as críticas que Ronaldinho disparou na internet nos últimos dois dias, como parte de uma ação de marketing para lá de questionável da Rexona, são completamente incoerentes. O ex-jogador pode falar de talento, qualidade, mas questionar “entrega” e “garra” de outros companheiros? Nunca foi essa a sua praia.
Em vez de desmobilizado, discurso destrutivo parece ter ganhado força
Não é apenas a contradição pessoal que gera chateação e estranhamento. Ídolo de muitos, que inclusive que vestem a Amarelinha atualmente, ele é também um formador de opinião atualmente.
Por mais que de maneira proposital e buscando fazer uma crítica, R10 reverberou um discurso que tende a ganhar cada vez mais força em meio a um jejum de 24 anos sem título da Copa do Mundo, sobretudo caso os resultados iniciais do recente trabalho de Dorival não sejam bons.
É também importante considerar: conhecendo os hábitos de consumo de informação no Brasil e no mundo, é óbvio que sua “retratação” (a revelação de que as declarações não refletem sua opinião) não irá repercutir como a crítica inicial, pelo simples fato de que as primeiras declarações são muito mais interessantes e intrigantes.
Certamente, a ideia da ação de marketing não partiu de Ronaldinho, mas surpreende como nenhuma das partes aparenta ter pensado que essa não era uma grande ideia. Mediante o peso das falas que geraram a polêmica e na forma como ela viralizou, a marca Rexona ainda ficou “escondida”. Parece que nenhuma das partes, exceto pela questão financeira, teve ganhos em termos de imagem.
É importante lembrar ainda que o Bruxo esteve envolvido com a Amarelinha em momentos nos quais foi alvo de críticas parecidas, como nos ciclos das Copas do Mundo de 2010 e 2012. Por isso, sua fala também tem um certo tom de traição com os colegas de profissão.
No fim, o resultado maior da campanha foi um mal-estar com os jogadores, conforme revelou o UOL. O que era para ser um convite à reflexão se tornou o reforço a uma crítica saudosista e nada construtiva, ainda que esses não sejam critérios para determinar a “validade” de uma opinião.
