Opinião

Endrick na reserva novamente é conservadorismo de Dorival e pode ter efeito colateral

Mesmo marcando por três jogos consecutivos vestindo a Amarelinha, promessa do Palmeiras não deve estrear como titular

Informações do Globo Esporte apontam que Endrick deve ser reserva do time titular do Brasil para o amistoso contra os Estados Unidos, na próxima quarta-feira (12). Será o quarto jogo consecutivo que o atacante iniciará no banco sob comando de Dorival Júnior. Nos outros três, ele entrou e marcou gols.

O técnico prega cuidado na gestão dos minutos do garoto. Não pela questão física, mas para evitar “queimá-lo” com os torcedores, a partir da perspectiva de que ele, aos 17 anos, pode ainda não estar pronto assumir a responsabilidade da titularidade. Essa conduta, porém, para mim, soa como um conservadorismo inadequado.

Obviamente, o centroavante do Palmeiras ainda tem muito o que amadurecer e irá oscilar, assim como vem fazendo no seu clube. Nos últimos dez jogos com a camisa Alviverde, ele soma apenas dois gols e uma assistência. São números muito aquém do que se espera, mas é plenamente normal.

Essa fase, porém, não se compara ao impacto do camisa 9 na arrancada da equipe de Abel Ferreira rumo ao título brasileiro, em um momento muito mais difícil e conturbado da temporada. A postura de Dorival, inclusive, lembra o que o português passou em 2023.

O centroavante só passou a ter sequência como titular a partir de junho. Antes disso, a torcida já pedia sua titularidade. Abel protelou esse momento, mas não se arrependeu quando cumpriu as expectativas dos fãs. Aparentemente, o comandante da Amarelinha pode viver um roteiro semelhante.

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Photo by Matthew Visinsky/Icon Sportswire via Getty Images

O Brasil anseia por ver o trio formado por Vinicius Júnior, Endrick e Rodrygo, todos pertencentes ao Real Madrid. Em tese, nada melhor do que um amistoso para testar essa possibilidade. Entretanto, tudo indica que não será dessa vez.

Cautela excessiva pode ter efeito colateral

A escolha por ter Endrick na reserva contra os Estados Unidos é só mais uma evidência de que Dorival segue a máxima que se criou no esporte, como medo de queimar etapas, ele opta por ter o máximo cautela de cautela possível para introduzir o jovem como peça central da equipe.

Mas o que é queimar etapas? Qual o momento certo de projetar um prospecto à maior missão da sua carreira até então? É sempre uma questão de idade, com 17 não pode, mas com 18 sim? É tudo muito subjetivo.

Apesar desse lema ter seu valor e sentido, ele não é garantia de nada. Não há fórmulas de sucesso para a gestão da parte humana e psicológica dos jogadores. Em situações equivalentes, eles podem dar respostas completamente diferentes, não há necessariamente um padrão.

Dorival pode estar certo, mas minha crença é que Endrick deve jogar. Ele precisa da Seleção, onde apresenta marca de gols bem diferente do que faz no Palmeiras neste ano, e a Seleção precisa dele.

Creio, inclusive, que essa contenção pode ter um efeito colateral na carreira do atleta. Quanto mais ele é “segurado” pelo técnico, mais cresce a expectativa do que ele pode entregar — sobretudo se os resultados coletivos forem ruins — o que dificulta com que ele corresponda em campo. A régua fica cada vez mais alta.

Essa cautela também pode significar a perda do momento de consolidar o camisa 9 da Amarelinha, uma função carente de referência há tempos. No Real Madrid, a tendência é que o centroavante perca ritmo, em função da concorrência por espaço com nomes como Kylian Mbappé e Vinicius Júnior. Dessa forma, ele tende a chegar em condições piores nas próximas convocações, em termos de ritmo.