Opinião

Com resposta positiva a interesse do PSG, Vinicius Júnior repetiria erro crasso do ídolo Neymar

Acerto com os parisienses não parece uma opção para o atacante, mas temor pela repetição do que ocorreu com Neymar é inevitável

Nesta quarta-feira (12), a rádio RMC Sport informou que o PSG alimenta interesse por Vinicius Júnior, do Real Madrid. Os franceses monitoram a situação do brasileiro com o intuito de identificar uma brecha para fazer investidas na sua contratação.

A avaliação dos parisienses é que o camisa 7 merengue seria uma ótima reposição para a saída de Kylian Mbappé, sendo um atleta de perfil parecido ao do astro recém-chegado ao Santiago Bernabéu. No entanto, a transação é extremamente improvável.

O ex-Flamengo tem contrato com o gigante espanhol até 2027, vive o melhor momento da sua carreira e a relação entre seu time e a equipe francesa não é nada boa. Em outras palavras, nenhuma das condições básicas para uma negociação existe no momento. O único aspecto que poderia mudar isso é a vontade do atleta.

É neste último tópico que reside a questão mais perigosa, o ego do jogador. Nesse caso, não digo o ego especificamente de Vinicius Júnior, mas de qualquer profissional do esporte em geral. Ele pode ser um grande aliado, mas também um complicador gigante para o sucesso na carreira.

A curto prazo, é difícil imaginar que o brasileiro pense em deixar o Real Madrid. Ele já está consolidado na equipe e a possível vitória na Bola de Ouro, vestindo a camisa merengue, daria ainda mais estabilidade a essa relação. No médio prazo, porém, os holofotes divididos com Mbappé podem se tornar um ponto sensível, apesar da minha torcida para que isso não ocorra.

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Photo by Mustafa Yalcin/Anadolu via Getty Images

Foi uma situação muito parecida a essa que mexeu com Neymar. À época, firmado entre os três melhores jogadores do mundo, ao lado de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, ele se seduziu por assumir ainda mais responsabilidades e deixar a “sombra do argentino”, mas o tiro acabou saindo pela culatra.

Ainda que parte do insucesso na França se deva às diversas lesões — as quais o atleta não teve culpa — um grande motivador para o declínio da carreira do craque brasileiro foi a opção por jogar no que provavelmente é a liga menos prestigiada entre os cinco principais campeonatos nacionais da Europa.

Há também outras duas nuances a se destacar sobre essa decisão. A primeira delas é que a Ligue 1 conta com mais embates físico que La Liga, o que teve influência direta sobre parte das contusões do camisa 10 do Al-Hilal.

Outro ponto é que tomar a decisão de se juntar ao PSG significa confiar em um projeto desenvolvido por um clube que há anos aposta em pilares questionáveis para a obtenção do sucesso. Está provado por A mais B que essa não é a melhor escolha. Ao menos não para atletas que já obtiveram sucesso em times de maior expressão.

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Se nos próximos meses Vinicius Júnior entender que merece mais prestígio e que jogar com Mbappé seja prejudicial (em termos de imagem ou esportivos), ele deve olhar para outras direções que não sejam acenar positivamente para o interesse do PSG. Bayern de Munique, Liverpool e Manchester City, por exemplo, seriam opções mais interessantes, ainda que existam diversas ressalvas sobre cada uma delas.

Nesse caso, sugiro que o “Malvadeza” redirecione o foco para onde Neymar devia ter apostado suas fichas: a Seleção Brasileira. Marcar diferenças com a Amarelinha, ser campeão continental, da Finalíssima e da Copa do Mundo é o que pode desequilibrar o reconhecimento do público e das premiações internacionais em um cenário de equilíbrio no Real Madrid.