Confira detalhes da opinião em exercício de comparação das listas designadas por Lionel Scaloni e Dorival Júnior
Os elencos recentes do Brasil para as grandes competições são frequentemente criticados, vítimas de um saudosismo inevitável, e para a Copa América 2024 não foi diferente. Bastou o empate contra os Estados Unidos, no último amistoso preparatório, para o clima hostil voltar a vigorar.
Pela mistura entre tradição e talento, a Canarinha chega para o torneio como uma das favoritas. No entanto, ao contrário do que ocorreu em 2021, a seleção não é a principal candidata ao título. Dessa vez, obviamente, esse posto é ocupada pela Argentina, atual campeã do mundo.
À época, o trabalho de Lionel Scaloni ainda estava se consolidando. Cerca de três anos depois, ele sugere caminhar para o fim de um ciclo, já com alguma queda no desempenho e a necessidade de renovar o grupo.
Essa demanda por renovação é exatamente o aspecto que me faz acreditar que a Seleção Brasileira tem um plantel melhor em comparação com os hermanos. O grupo convocado por Dorival tem média de 25,8 anos, com muitos jovens fisicamente privilegiados e em ascensão na carreira. Já o conjunto de Scaloni tem média de 28,5 anos.
No fim, isso não significa tanto. Ter um melhor elenco não significa ter um time titular superior. Além disso, os veteranos argentinos — como Ángel Di María, Lionel Messi e Nicolás Otamendi — seguem entregando bom futebol quando defendem as cores de seu país.
Ainda assim, mantenho meu ponto: considerando o geral, o elenco brasileiro tem melhores opções. Para ilustrar, fiz uma mescla da convocação de ambos os países. Ao fim, 14 dos 26 nomes selecionados foram brazucas. Veja a relação abaixo, abaixo posição por posição.
Goleiros
Das seis opções para a posição, a melhor combinação conta com dois arqueiros do elenco do Brasil para a Copa América: Alisson e Bento. Da Argentina, somente Emiliano Martínez faria parte desse “dream team”, ainda que fosse provavelmente o titular.

Vale ressaltar: acho Alisson o melhor entre todos esses. Pelo que ele defende rodada após rodada no Liverpool, não tenho dúvidas de sua qualidade. Entretanto, Dibu conseguiu na seleção da Argentina uma mística que parece transcender o esporte. Ele conquistou justamente o status que o ex-Internacional, muito criticado, não conseguiu até o momento.
Laterais
Pode parecer loucura, mas — mesmo com a Amarelinha vivendo uma crise para consolidar opções na posição — três dos nomes da convocação ideal são brazucas: Wendell, Guilherme Arana e Danilo. Dos rivais, Nahuel Molina merece o reconhecimento.
Acuña sofreu com lesões durante toda a temporada e pouco contribuiu em um Sevilla que passou por uma temporada desastrosa. No mais, creio que Arana e Wendell vivem momentos melhores que Tagliafico. Além disso, Yan Couto merece a menção, pois fez bom ano pelo Girona, mas Molina é uma opção mais consolidada, ainda que tenha perdido espaço no Atleti.
Zagueiros
Novamente, o elenco do Brasil para a Copa América mostra mais qualidade do que o da Argentina. A convocação ideal de zagueiros, dentre todas as dez opções, conta com: Lisandro Martínez, Cuti Romero, Gabriel Magalhães, Bremer e Éder Militão.
Martínez e Militão passaram a maior parte da temporada machucados, mas já são atletas comprovados no mais alto nível. Além disso, nesse exercício fictício, eles seriam reservas da dupla formada por Cuti e Magalhães. Bremer, por sua vez, é um dos melhores zagueiros da Itália e deveria ser unanimidade na lista pelo que demonstrou nos últimos anos.
Meio-campistas
No meio-campo, a Argentina leva vantagem com mais jogadores consolidados. Dos sete nomes da convocação ideal, quatro nomes são comandados por Scaloni. Nesse sentido, o grupo ideal teria: Leandro Paredes, Alexis Mac Allister, Enzo Fernández, Rodrigo de Paul, Lucas Paquetá, Bruno Guimarães e Douglas Luiz.

Nessa área do campo, não há muito o que discutir. Paredes pode soar como o nome mais questionável entre todos eles, mas fez boa temporada pela Roma, conseguindo se manter saudável e ter sequência como titular. Sua disputa era com Éderson, campeão da Europa League com a Atalanta, mas o volante giallorossi é um atleta mais técnico e com amostragem importante no alto nível.
Atacantes
No ataque, a predominância é dos hermanos. As listas de convocação de cada país, porém, opõem os jovens talentos do Brasil contra veteranos argentinos que fizeram história no futebol mundial. Nesse cenário, há uma desvantagem para a seleção pentacampeã mundial por questões de amostragem.
Ainda assim, se a convocação fosse feita hoje, a relação ideal teria: Ángel Di María, Lionel Messi, Lautaro Martínez, Julián Álvarez, Rodrygo, Savinho e Vinicius Júnior. Alguns podem questionar a presença dos dois primeiros, já veteranos, mas é impossível fechar os olhos para o que eles ainda tem entregando por seu país. Talvez, após a Copa América, essa concepção mude.
