Opinião

Os melhores e os piores de Brasil x Costa Rica pela Copa América

Seleção pentacampeã mundial não conseguiu balançar as redes em sua estreia no torneio continental e aumenta a pressão para as rodadas seguintes

O Brasil largou com o alerta ligado na Copa América. Em sua estreia, empatou por 0 a 0 com a equipe mais fraca do grupo, a Costa Rica. Agora, enfrentará Paraguai e Colômbia nas próximas rodadas e precisa das vitórias para garantir a primeira posição sem depender de outros resultados.

O resultado não refletiu, necessariamente, o que foi a partida. A equipe de Dorival conseguiu criar grandes chances contra um adversário bem fechado, com linha de cinco defensores em um campo menor do que o habitual, o que impõe mais dificuldades. Ainda assim, a bola não entrou.

Se o resultado é algo incontrolável, o comportamento coletivo não, cabe interferência do técnico. E foi justamente esse aspecto que mais chamou atenção. Muitos dos pilares que Dorival Júnior solidificou para seu time até então demonstraram ineficácia, mesmo em uma amostragem curta contra adversários de níveis inferiores.

Os piores: Vinicius Júnior e Dorival

A partida contra a Costa Rica foi somente mais uma ruim no histórico de Vinicius Júnior com a camisa do Brasil. É curioso que o camisa 7 seja o favorito para vencer a Bola de Ouro no momento, mas tenha raros jogos bons vestindo a Amarelinha.

No momento, a sensação é que o “Malvadeza” sente muito a pressão do protagonismo representando seu país. É normal, grandes nomes na história do esporte tiveram dificuldade de lidar com isso. Ronaldinho Gaúcho, por exemplo, atingiu seu auge no esporte entre 2005 e 2006, mas teve sua melhor versão na Seleção ao lado de grandes nomes como Ronaldo Fenômeno e Rivaldo. Talvez um retorno de Neymar, ao fim do ano, ajude nesse aspecto.

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Photo by PATRICK T. FALLON/AFP via Getty Images

Dentro de campo, o ex-Flamengo foi o grande ponto negativo da noite. De acordo com números do SofaScore, foram 18 posses perdidas, nenhum drible certo de quatro tentativas, nenhuma tentativa de chute e somente um de quatro cruzamentos certos.

Junto a Vini como piores figuras do confronto entre Brasil e Costa Rica está o próprio Dorival, que é responsável direto pelo desempenho ruim do camisa 7. Se quiser repetir o que o brasileiro faz sob comando de Carlo Ancelotti, não basta colocá-lo de titular e dar o mesmo número de camisa. É necessário dar a liberdade ofensiva que ele tem no time do Santiago Bernabéu.

A grande temporada do “Malvadeza” foi marcada por uma maior participação na faixa central do ataque, caindo cada vez mais por dentro, em vez de ficar apenas espetado na ponta-esquerda. É uma decisão que não faz o mínimo de sentido, sobretudo tendo Arana que pode dar amplitude do lado esquerdo e sem um atacante de referência entre os 11 titulares, o que cria a necessidade de mais presença de área.

Fora essa função tática inadequada, o treinador também colaborou muito pouco para mudar o cenário do jogo. Não utilizou Andreas, mesmo sem a equipe sofrer defensivamente, mantendo um tripé com dois volantes até os 38 minutos do segundo tempo.

Além disso, optou por Raphinha como titular, Endrick no banco, demorou a mexer e ainda escolheu tirar Vini de campo. Por pior que fosse o jogo do atleta do Real Madrid, ele é um dos nomes mais desequilibrantes do futebol mundial atualmente. Deveria ter sido mantido.

Os melhores: Rodrygo e Savinho

Por mais que tenha cansado na parte final do jogo, Rodrygo foi o melhor em campo do lado do Brasil. Mesmo fora de sua posição ideal, emulando um falso 9, o atleta mostra capacidade de criar jogo e ser perigoso. É um jogador que precisar estar perto de Lucas Paquetá pela capacidade que ambos têm de se encontrar e trocar passes em espaços curtos.

Os últimos jogos do camisa 10 fazem crescer a expectativa por tê-lo em uma posição onde fique mais confortável, seja como meia central, com uma referência ofensiva, ou vindo da esquerda para o centro.

Nesse sentido, Dorival pode tentar um esquema parecido com o que o Real Madrid utilizou diante do Manchester City, nas quartas de final da Champions League: o “Raio” na esquerda e Vini mais na condição de atacante central.

Brazil v Costa Rica - CONMEBOL Copa America USA 2024
Photo by Richard Callis/Eurasia Sport Images/Getty Images

Junto dele, Savinho compõe a dupla dos melhores de Brasil e Costa Rica. O atacante do Girona teve apenas 20 minutos em campo, mas foi muito mais efetivo que Raphinha em termos ofensivos. Foi para cima da defesa em todas, até nas que não devia, e teve sucesso na maioria das investidas.

O camisa 20 pede passagem. Raphinha, na cota de “ponta operário” tão comum no futebol moderno, não justifica sua titularidade desde a Copa do Mundo de 2022 e se trata de uma das escolhas mais questionáveis de Dorival no seu curto período no comando do Brasil.