Opinião

Opinião: Liverpool pode perder Premier League na janela de janeiro

Reds atingiram a primeira posição da tabela na 16ª rodada e conquistam confiança da torcida na busca pelo título

A fase do Liverpool é inacreditável. Nos últimos três jogos da Premier League, venceu dois com viradas no placar já ao fim da partida, com todo aquele drama que os torcedores do time de Anfield sabem viver muito bem. Dos últimos nove jogos na liga, foram seis vitórias e três empates. A única derrota na competição, até então, foi diante do Tottenham, em um jogo com erro de arbitragem escandaloso contra os comandados de Jurgen Klopp.

Toda a solidez apresentada por um time ainda em construção, com uma linha de meio-campo quase inteiramente nova, conduziu o clube à liderança do Campeonato Inglês, o grande objetivo do clube na temporada. Para que o título venha, no entanto, será importante que torcedores e dirigentes olhem para a além da tabela e dos resultados.

As partidas diante de Fulham e Crystal Palace expuseram uma defesa vulnerável, salva pelo poderio ofensivo da equipe e Alisson Becker, que retornou aos gramados no último sábado (9). Não bastasse isso, ainda houve a grave lesão que tirará Joel Matip de toda a temporada. Em fim de contrato, inclusive, o zagueiro não deve voltar a utilizar a camisa dos Reds.

Liverpool FC v Fulham FC - Premier League
Photo by Clive Brunskill/Getty Images

Diante do Sheffield, quem se lesionou foi o Alexis Mac Allister, que chegou à equipe nesta temporada. Pelo que deu a entender o treinador alemão, em entrevista coletiva, o argentino não preocupa tanto, mas pode perder alguns jogos no tumultuado final de ano dos times britânicos.

Os desfalques parecem ser um aviso ao Liverpool de que, caso o clube não se movimente na janela de janeiro, as chances de título da Premier League podem ir embora logo no primeiro mês do ano, ainda que o preço só seja cobrado semanas depois.

A questão no meio-campo

A ausência de Mac Allister diante do Crystal Palace chamou atenção pelo impacto no volume ofensivo. Com Wataru Endo como primeiro homem de meio-campo em um jogo contra um adversário mais fechado, os Reds tiveram enorme dificuldade de criar chances. 

O japonês é ótimo nos duelos individuais, na pressão pós-perda, mas não é um atleta associativo, acostumado a lidar com espaços curtos como argentino, que sequer está em sua posição de origem.

Buscar um “primeiro volante”, como acostumamos a falar no passado, tende a permitir que Mac Allister se junte a Dominik Szoboszlai e Trent Alexander-Arnold na criação e finalização das jogadas. É importante lembrar que o camisa 10 anotou dez gols e duas assistências na última edição do campeonato, ou seja, é um jogador que tem vocação para o ataque.

Sheffield United v Liverpool FC - Premier League
Photo by Alex Dodd – CameraSport via Getty Images

Essa movimentação também possibilitaria ter mais qualidade na saída de bola do que o japonês oferece. Há nomes para isso. Entre os mais especulados, André, do Fluminense, me parece a melhor opção para o presente e futuro. Basta ter coragem.

Infelizmente, apesar de todo o apreço, a torcida não deve contar com Thiago Alcântara, que não consegue ter longas sequências na carreira. Stefan Bajcetic também é um mistério, pela pouca idade, pela necessidade de recuperar ritmo e o físico frágil para a posição.

A prioridade da janela de janeiro para o Liverpool

Mais urgente do que um meio-campo é a busca do Liverpool por um zagueiro na janela de janeiro. Já era uma necessidade destacável. Agora, ela foi agravada pela lesão de Matip. Atualmente, no plantel, só há quatro opções: Virgil van Dijk, Ibrahima Konaté, Joe Gomez e o jovem Jarell Quansah.

Deles, Gomez e Konaté têm históricos preocupantes de lesões, além do fato de que o primeiro também é utilizado com frequência nas laterais. É inadmissível que o clube, com um ano tão promissor, seja irresponsável a ponto de seguir a temporada apenas com tais opções. Ou então que queira “tapar os buracos” com reforços do nível de Nat Phillips.

Principalmente quando as especulações apontam para um craque como o zagueiro Lucas Beraldo, do São Paulo. Formado nas categorias de base do clube paulista e observado por diversos clubes europeus, ele deve custar pouco mais de € 20 milhões de euros aos interessados.

Sao Paulo v Athletico Paranaense - Brasileirao 2023
Photo by Alexandre Schneider/Getty Images

Trata-se de um talento absurdo, um beque canhoto que não demonstra sentir pressão independente da ocasião. Rápido, ótimo no um contra um e excelente com a bola nos pés. Tudo isso, com apenas 20 anos.

Entendo que o clube possa temer alterar o posicionamento do seu capitão, acostumado a ocupar a faixa esquerda do campo. No entanto, ele já atuou na direita no passado e, diante de um cenário de urgência, isso não deveria ser problema. Virgil é um extraclasse em técnica e mentalidade, se dará bem em qualquer posição.