Meia segue brilhando com assistências pelo West Ham
A Seleção Brasileira tem sofrido com a falta de um estilo de jogador importante para os dias de hoje. Trata-se daquele aquele camisa 8, que ajuda na construção ofensiva, pisa na área e também é fundamental no momento sem a bola. Por de ser 8, mas também 7 e (alguns) até 10.
O Real Madrid, por exemplo, tem Jude Bellingham e Federico Valverde. O Barcelona tem Pablo Gavi, o Manchester City tem Bernardo Silva, o Liverpool desenvolve Dominik Szoboszlai, a Inter tem o ótimo Nicollo Barella, entre outros espalhados por outros clubes.
Alguns mais voltados para a parte ofensiva, outros com mais cacoete defensivo, mas todos são facilitadores de esquemas táticos. No Brasil, essa figura é Lucas Paquetá.
É o tipo de jogador que, basicamente, substituiu os armadores clássicos no atual cenário. São menos cerebrais, mas cobrem uma maior parte do campo e ajudam nos duelos físicos que se tornaram essenciais nos jogos. Geralmente, ideais para um tripé de meio-campo.

No último ciclo de Copa do Mundo, no Brasil, alguns jogadores foram testados na função, porém em um 4-2-3-1. Fred passou um bom tempo nessa vaga, Bruno Guimarães teve chances e, durante a Copa do Mundo, Paquetá foi o escolhido.
Pessoalmente, discordei dessa escolha em todos os momentos da competição. Desde quando dava certo ao dia que eu errado e o meio-campo da Croácia, com Luka Modric, Mateo Kovacic e Marcelo Brozovic tirou controle de jogo da Amarelinha.
E a desaprovação não veio pelo jogador. Sou grande fã do camisa 10 do West Ham, como mostra o título deste texto. Mas, no esquema utilizado por Tite, com Neymar como armador, o setor ficou mais exposto do que deveria. Perdeu equilíbrio
O ponto aqui, no entanto, é outro. Não gosto nem de lembrar o que ocorreu nas quartas de final do último Mundial. Esqueçamos isso e vamos olhar para a frente: precisamos de mais atletas como Paquetá e a internacionalização dos jovens talentos brasileiros aparenta estar atrapalhando isso.
Bruno Guimarães é um bom exemplo. Deixou o Athletico como um “segundo volante”. Jogador de combate e que chegava na área, ótimo passador. Na Europa, foi recuado e hoje é o primeiro homem do meio-campo do Newcastle, absoluto na posição.

Como consequência, na Seleção ele mostra, há certo tempo, uma dificuldade de fazer a transição da defesa para o ataque. No fim das contas, caso não mude o panorama, vai acabar concorrendo com André, Casemiro e outros pela vaga.
Hámais nomes afetados por essa aparente tendência. Gabriel Sara, por exemplo, deixou o São Paulo como um meia-atacante de perfil semelhante ao de Paquetá, mas menos inventivo e mais “operário”. Atualmente, no Norwich, já está como segundo homem e sendo testado como primeiro.
No caso de outras joias que podem pintar na Amarelinha num futuro, como Danilo, ex-Palmeiras, e Andrey Santos, ex-Vasco, eles sequer têm jogando. A ver se o mesmo “recuo” repetirá. Espero que não.
Sou otimista. Brasil deve ter em Vinícius Júnior, Rodrygo e Endrick, referências técnicas para o futuro. Mas o futebol precisa desses facilitadores. Formar mais atletas como Paquetá é primordial pro futebol brasileiro. Assim como o retorno do atleta à Seleção, enquanto esperamos o resultado da investigação sobre o possível envolvimento com apostas não chega. Não há tempo a perder.
