Mais tempo poderia dar ao alemão o valor histórico justo, mas o destino quis que fosse assim
Sempre me preocupei com o valor histórico que as figuras dos quais sou fã no futebol vão receber daqui a 20, 30 ou mais anos. A Copa do Mundo deu a Lionel Messi, por exemplo, o peso adequado. O consolidou como um extra-classe que “zerou o esporte”, venceu tudo. Um tipo de figura que aparece a cada século, incontestável.
Jürgen Klopp, por sua vez, deve ser lembrado como um dos melhores de sua geração. Sobretudo, isso deve depender de seguir carreira depois do ano sabático, fazer história em outros países, conseguir mais troféus de campeão europeu. E, ainda que isso ocorra, sua passagem de quase uma década no Liverpool tende a ser subestimada.
Com uma política de gastos mais contida que a de outros rivais, o processo de reconstrução foi longo. Os primeiros títulos vieram somente no quarto ano de trabalho. O azar em finais também foi marca extremamente triste: uma final de Europa League perdida e outras duas de Champions League.

No caso da competição mais importante do futebol de clubes da Europa, as chances de título foram embora ainda com requintes de crueldade. Na primeira ocasião, a lesão tirou o craque do time de campo e os Reds saíram derrotados com falhas clamorosas do goleiro Loris Karius. Na segunda, o time foi melhor que o adversário, mas parou no goleiro e na trave.
Até o momento, são sete troféus em quase nove anos do alemão como um Red. Está longe de ser uma marca ruim, mas a frieza dos números deve colocá-la numa distância possivelmente irreal para o trabalho do grande rival Pep Guardiola no Manchester City (16 títulos em quase oito anos), uma comparação inevitável pela contemporaneidade de ambos. Uma pena, mas quem viu e viveu lembrará como essa rivalidade foi bonita e mais equiparada do que parece.
Você merecia, Klopp, aquelas outras duas Champions Leagues, a Premier League perdida por um ponto, a Europa League e tudo mais. Mas o futebol é um esporte maldoso às vezes. Faz parte. Os troféus podem te resumir para uma análise distanciada historicamente, mas nunca serão suficientes para explicar o seu impacto no gigante adormecido que você acordou com todo seu “Rock and Roll”.
Que em 2024 os deuses do esporte sorriam e te tragam a Premier League como a merecida coroação.
You’ll Never Walk Alone, Jurgen!
