Saldo da relação de atletas designados para a competição é positivo, mas conjunto poderia ser ligeiramente melhor
Na última sexta-feira (10), Dorival Júnior anunciou sua convocação da Seleção Brasileira com 23 atletas envolvidos para os amistosos contra Estados Unidos e México, além da disputa da Copa América, que se inicia no dia 20 de junho.
Como sempre, a lista gerou discussões entre os torcedores. Ainda assim, a relação se mostrou coerente com as primeiras impressões deixadas pelos amistosos diante de Inglaterra e Espanha, além de respeitar os momentos dos atletas, na maioria dos casos.
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Em geral, vejo somente três pontos questionáveis nas decisões do comandante da Amarelinha:
1. Nuances cruéis sobre a ausência de Bremer
Como zagueiros destros, Dorival convocou Marquinhos e Éder Militão. O primeiro não fazia uma boa temporada, mas melhorou nos últimos meses e figura na lista de maneira natural, também por uma certa hierarquia construída nos últimos anos.
O defensor do Real Madrid, por outro lado, voltou aos gramados ao fim de março, depois de pouco mais de sete meses sem jogar. Me pareceu um chamado precoce, ainda que ele se mostre como um postulante a titular para a próxima Copa do Mundo.

Nesse contexto, novamente, a ausência de Bremer chama atenção. Titular absoluto da segunda melhor defesa do Campeonato Italiano, rápido, de bom passe e com idade para figurar tranquilamente no próximo mundial, o zagueiro formado pelo Atlético-MG é o principal alvo de “injustiças” das convocações de Dorival até o momento.
2. O duelo Beraldo x Murillo
Pessoalmente, vejo Lucas Beraldo como titular natural da Seleção Brasileira no ciclo da Copa do Mundo de 2030. O ex-São Paulo alia técnica e personalidade de uma maneira poucas vezes vista em Cotia, que se habituou a lançar talentos para o mundo.
Ainda assim, neste momento, ele e Murillo, do Nottingham Forest, estão em situações muito similares. Ambos não vivem seus melhores momentos, o que poderia colocar qualquer convocação em xeque. O ex-Corinthians, porém, está há mais tempo na Premier League e já demonstrou nível altíssimo na competição, o que valeria ao menos um teste.
Beraldo foi mal no confronto contra a Espanha, sofreu muito contra o Barcelona, no jogo de ida das quartas de final da Champions League, e falhou no gol de Mats Hummels, na semifinal. Nesse cenário, acredito que o treinador poderia ter optado por uma lista maior para fazer um “tira-teima” da dupla antes de fechar o grupo para a Copa América.
3. A má fase de Gabriel Martinelli
Gabriel Martinelli vive uma queda de desempenho drástica no Arsenal. De titular incontestável, ele passou a reserva no time de Mikel Arteta na parte final da temporada. Hoje, já não é um nome obrigatório na convocação, ainda que seu talento e sua idade o coloquem como um dos favoritos para figurar na lista da próxima Copa do Mundo.
Pensando que a relação já tinha Rodrygo e Savinho como ponta polivalentes que atuam de ambos os lados, além de Endrick e Evanílson como opções de centroavante, não havia porque manter o camisa 11 dos Gunners na lista.
No meu entendimento, essa vaga poderia ser melhor destinada a uma aposta, talvez até para outra posição. Um nome que gosto é o de Claudinho, do Zenit, que pode fazer a função de meia-atacante como Andreas Pereira e Lucas Paquetá. De acordo com o SofaScore, ele é o atleta que mais criou grandes chances no Campeonato Russa até o momento.
