City e Flu fazem a final de Mundial de Clubes com mais apelo para os não-envolvidos diretamente nos últimos anos
Não torço para o Fluminense, nem para o Manchester City, mas torci muito para termos um confronto entre ambos na final do Mundial de Clubes. Confesso ter dificuldade em entender quem, fora de uma rivalidade exacerbada com qualquer uma das partes, pensasse diferentes. São muitos “ingredientes” que constroem esse jogo.
Um dos que mais me intriga é a narrativa tática envolvida. Fernando Diniz surgiu no Brasil como o “Guardiola tupiniquim” pela vocação ofensiva. O tempo mostrou, no entanto, que eles têm, possivelmente, mais diferenças que semelhanças. Não à toa, a “bolha tuiteira” os coloca quase que como antíteses: o brasileiro é um expoente do “jogo funcional”, enquanto o catalão é o ícone máximo do “jogo de posição”.
O resultado do jogo não irá, de forma alguma, selar esse debate. Ao menos, não deveria. De qualquer modo, o confronto entre dois times talhados para atacar e ficar com a bola – independente de como fazem isso – é, por si só, sempre um entretenimento fantástico para quem gosta do esporte.
Mesmo com os desfalques de peças primordiais, como Erling Haaland, Kevin de Bruyne e Jérémy Doku, tenho dificuldades de visualizar um cenário no qual o Manchester City perca. Muito disso, porque não consigo imaginar uma partida na qual os brasileiros não cedam grandes chances aos adversários como foi diante do Al-Ahly.

Na verdade, o Tricolor Carioca convive com os adversários tendo boas chances mesmo em jogos nos quais sai vitorioso. Uma das exceções foi a final contra o Boca, no qual houve mais controle do que o padrão.
Talvez a ânsia pela verticalidade, por avançar em campo, agredir o adversário seja um dos principais aspectos que tornam o time brasileiro mais vulnerável que o ideal. Num avanço errado, em um erro de “timing”, o contra-ataque é mortal. O City, por outro lado, não vê problemas em cativar uma posse de bola modorrenta para impor mais controle, acalmar as coisas e esfriar os ânimos.
Colocadas todas essas variáveis e conhecendo as respostas de Fernando Diniz a resultados adversos (sem qualquer medo de se expor), a razão me diz que o Manchester City irá “amassar” o Flu. Meu sentimento, no entanto, confesso ser contrário. É realmente algo intangível, mas que existe, um “sexto sentido” de que as chances do Flu são maiores do que se parecem e isso passa pelo excelente Fábio fazer história como Cássio ou Rogério Ceni.
