Opinião

Espanha 3 x 3 Brasil: 6 pontos positivos e negativos do amistoso

Com forte interferência de uma arbitragem ruim, Canarinha conquista empate dramático e vê Endrick pavimentar sua titularidade

Na última terça-feira (26), Brasil e Espanha protagonizaram um amistoso eletrizante no Santiago Bernabéu. Com nível mais alto do que os jogos com os quais a torcida brasileira se acostumou, a Seleção passou por momentos de grande dificuldade, ainda mais do que viveu no jogo anterior, contra a Inglaterra.

Nesse cenário, o jogo ressaltou pontos negativos mais preocupantes do que os aspectos positivos, o que é normal pela diferença da maturidade do trabalho de Dorival Júnior em comparação com o de Luis De La Fuente. Confira abaixo os principais destaques do Futebol Mundo.

Pontos positivos

Lampejos de Rodrygo

Por “força maior”, Rodrygo praticamente nunca joga — nem na Seleção Brasileira e nem no Real Madrid — onde se sente melhor: na ponta-esquerda. Em pouco tempo na posição, descolou uma jogada individual para finalização de Vinicius Jr. no primeiro tempo. Depois, marcou um gol no qual esbanjou frieza, apesar da falha do time da casa. Pela direita, novamente em jogada individual, acertou a trave. O “Raio” merece observação cuidadosa.

Força de reação

Mesmo com um 2 a 0 para o time da casa e um primeiro tempo bem abaixo da crítica, a equipe de Dorival em nenhum momento se deu por entregue. A equipe vibrou e “guerreou” em um nível muito maior do que o esperado para um amistoso.

A Espanha merecia a vitória, foi melhor em linhas gerais, mesmo transformando muito do seu volume ofensivo em chutes de fora da área. Ainda assim, isso não apaga que o empate ocorreu muito por interferência do juiz. Não fossem os dois pênaltis extremamente “duvidosos” para a seleção da casa, o resultado poderia ser sido melhor para a Canarinha.

Endrick, o iluminado

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Photo by Mateo Villalba/Getty Images

Existem craques e existem craques com estrela, daqueles que dão respostas imediatas de forma consecutiva na carreira, desde muito jovens. Endrick pertence ao segundo grupo. Precisou de poucos minutos em campo para marcar seu segundo gol pela Seleção e empatar a partida. Florentino Pérez sorrirá por anos com o brasileiro defendendo as cores do Real Madrid. Pagou uma pechincha ao Palmeiras.

Pontos negativos

Saída de bola (e marcação)

O Brasil teve muita dificuldade para marcar a saída de bola da Espanha, apesar da pressão ter dado resultado no gol de Rodrygo. Do outro lado do campo, a equipe de Luis De La Fuente sufocou a construção da Amarelinha desde os zagueiros, quando quis fazer pressão com bloco mais alto. Em outras palavras, em termos de saída de bola, eles fizeram tudo o que não conseguimos.

Esse cenário dificultou muito o jogo, o que é normal para um início de trabalho. As alterações melhoraram um pouco a situação no segundo tempo, sobretudo com a entrada de Douglas Luiz.

Jogo ruim do trio de meio titular

Individualmente, João Gomes, Bruno Guimarães e (principalmente) Lucas Paquetá não fizeram bons jogos. Muito disso, foi consequência do contexto, da dificuldade em acertar a marcação. Ainda assim, quando tiveram a posse da bola, erraram muito. Entre passes simples errados e jogadas forçadas, o trio que foi destaque contra a Inglaterra acabou cedendo controle aos espanhóis.

Beraldo

Considero Beraldo um craque da posição. Jogador de qualidade técnica, passe, leitura de jogo e maturidade acima da média. No entanto, não fez um bom jogo como praticamente toda a linha defensiva. Sofreu um drible desconcertante de Dani Olmo e ainda amargou um pênalti (mandrake) ao fim do jogo. De forma quase que inevitável, ficou marcado como um dos rostos dos problemas do Brasil.

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Photo by THOMAS COEX/AFP via Getty Images

Com 20 anos e uma carreira curta, é normal que um episódio desse aconteça. A rápida titularidade no PSG não pode esconder que ainda não se trata de um zagueiro pronto. Acontece, vai oscilar, mas isso não muda o fato de que é diferenciado. A torcida espera que esse jogo não mine sua confiança, que ele tenha um bom encontro com Lamine Yamal na Champions League e retorne à Seleção Brasileira.