Da organização com poucos dias de treino à partida abaixo da média do craque do time: veja os principais destaques do novo ciclo da Seleção Brasileira
No último sábado (23), Brasil e Inglaterra se enfrentaram em Wembley, no jogo que marcou a estreia do treinador Dorival Júnior à frente da seleção pentacampeã do mundo. A Amarelinha venceu a partida por 1 a 0 e quebrou uma invencibilidade de mais de um ano da equipe de Gareth Soutghate.
Mesmo com desfalques de medalhões, o time brasileiro teve uma primeira atuação empolgante em um jogo movimentado. Novos nomes responderam bem e o grupo demonstrou organização, apesar do pouco tempo de treino.
Como é normal de qualquer trabalho recente, a partida também evidenciou algumas preocupações que o treinador precisará olhar com carinho durante seu tempo na CBF.
Nesse cenário, o Futbol Mundo pontuou oito pontos de destaque da partida: quatro positivos e quatro negativos. Confira abaixo!
Pontos positivos
Mobilidade sem bagunça

Sobretudo pela característica do trio de ataque que iniciou como titular, Dorival prezou por dar liberdade aos jogadores. Vinicius Jr. e Rodrygo, por exemplo, mudavam constantemente de posição para permitir um jogo aproximado, com Lucas Paquetá, Bruno Guimarães e João Gomes também se projetando pelos dois lados.
Isso, porém, não deixou a equipe desorganizada como era sob comando de Fernando Diniz, cuja troca de posições é pilar do trabalho. Mesmo contra um adversário de alto nível, a equipe manteve uma postura elogiável sem a bola, com Raphinha ajudando muito na marcação pela direita.
Trio de meio-campo
Bruno Guimarães jogou de onde não deve mais sair: a “cabeça da área”, como primeiro volante, como é no Newcastle. Para melhorar, o ex-Athletico contou com a presença de Paquetá, seu antigo parceiro de Lyon, no setor, com quem demonstra um entrosamento diferenciado. João Gomes completou o trio como “o pulmão”, um jovem que demonstrava gás para dar piques mesmo nos acréscimos do segundo tempo.
O trio fez um grande jogo, todos marcaram, ajudaram a construir e não se omitiram no ataque. Foram peças-chave para um jogo mais seguro e a versatilidade da equipe: capaz de construir em meio ao bloco baixo dos ingleses e de contra-atacar em velocidade.
Andreas, uma novidade subestimada
Paquetá é um atleta imprescindível para o Brasil atualmente e o principal problema é que há poucos nomes de características semelhantes, um meia capaz de armar, mas que também combate no meio-campo, marca, comete falta, disputa bem fisicamente.
Andreas Pereira é uma das boas possibilidade identificadas por Dorival para esse posto de “sombra”. Entrou muito bem na partida, deu o passe que culminou no gol de Endrick e poderia ter computado ainda mais uma assistência, não fosse a chance perdida pelo atacante palmeirense nos últimos segundos do jogo. Para essa função, vale também manter o olho em Claudinho, do Zenit.
A estrela de Endrick
Endrick aparenta ser um talento de fato geracional. Às vezes, menos pela genialidade e mais pela estrela. O gol da vitória do Brasil na estreia de Dorival veio dos pés do jovem de 17 anos, que ficou pouco mais de 20 minutos em campo. Parece ser questão de tempo para se tornar unanimidade na posição. Esperamos que o Real Madrid não atrapalhe nesse percurso.
Pontos negativos
Vini Jr. ainda abaixo

Assim como foi comum na “Era Tite” e em 2023, a vitória dos brasileiros diante da Inglaterra contou uma atuação abaixo da crítica de Vinicius Junior. Com a Amarelinha, o atacante não consegue render como no Real Madrid e solucionar essa questão deve ser um dos principais focos do novo treinador. O camisa 7 perdeu dois gols que não costuma e reconheceu, em entrevista pós-jogo, a necessidade de melhor com a camisa da seleção.
Bento e a bola parada
O goleiro Bento é uma das principais esperanças do futebol brasileiro para o futuro. Inclusive, o arqueiro do Athletico teve boas intervenções nas finalizações do time da Inglaterra. O que me preocupou, porém, foi sua postura nas bolas paradas. Ele demonstrou certa insegurança para sair do gol nas disputas aéreas e permitiu que o Brasil corresse riscos desnecessários nesses momentos.
Pontaria ruim
A vitória de Dorival em sua estreia no comando do Brasil foi “no detalhe”. O jogo dava diversos indícios de um 0 a 0 no placar, sobretudo pelos pecados do brazucas na definição das jogadas. Foram, pelo menos, três chances claras de gols perdidas com Vinicius Junior, Paquetá e Raphinha. Isso, sem contar a finalização do camisa 7 que antecedeu o gol de Endrick. A galera precisa “colocar o pé na forma”.
Substituições “tardias”
O novo treinador foi, em certa medida, conservador durante o jogo. Manteve sua estrutura inicial por pouco mais de 70 minutos e somente então fez as primeiras substituições. Essa postura me deu a impressão de que ele estava muito mais preocupado com o resultado do amistoso que deveria.
A Inglaterra, por exemplo, com 75 minutos do tempo regulamentar, já havia feito suas seis substituições e não tinha mais Jude Bellingham e Kyle Walker (por lesão) em campo. No fim, mesmo com seis alterações, foi difícil avaliar as partidas de nomes como Douglas Luiz e Sávio, para não falar dos poucos minutos de Bremer e Pablo Maia.
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