Conflitos geopolíticos históricos acirram rivalidades no principal torneio de seleções do Velho Continente
A Eurocopa 2024 não completou sequer uma semana de duração, mas a edição já tem algumas marcas claras para os fãs do esporte. O primeiro deles são os lindos gols com chutes de fora da área. Arda Güler, Nicolae Stanciu e Lukas Provod são alguns dos autores das pinturas que o torneio já viu.
Outra característica do evento tem sido os jogos movimentados entre seleções de menor expressão. Turquia e Geórgia, Romênia e Ucrânia, Croácia e Albânia protagonizaram jogos divertidos com os quais o público se surpreendeu.
A última marca, porém, não se trata de algo positivo, mas sim das diferentes manifestações de conflitos geopolíticos que o evento proporcionou até então. Na primeira rodada, às vésperas da partida entre Inglaterra e Sérvia, por exemplo, albaneses e sérvios se enfrentaram nas ruas de Gelsenkirchen.
Na última quarta-feira (19), o problema foi outro. No empate por 2 a 2 entre Albânia e Croácia, torcedores de ambos os países cantaram “mate os sérvios” nas arquibancadas. O ocorrido insatisfez a Federação de Futebol da Sérvia, que entrou em contato com a UEFA e ameaçou abandonar a Eurocopa, caso as seleções não sejam punidas, de acordo com o Daily Mail.

Nesta quinta-feira (20) a seleção dirigida por Dragan Stojkovic entrou em campo como favorita diante da Eslovênia, mas conseguiu um singelo empate por 1 a 1, no último minuto da partida.
O resultado deixou os sérvios ainda vivos na competição, mas a classificação dependerá diretamente de um bom resultado contra a Dinamarca. O jogo decisivo está marcado para a próxima terça-feira.
Histórico de rivalidade extracampo
Os cânticos que fizeram a Federação de Futebol da Sérvia ameaçar abandonar a Eurocopa é reflexo de uma antipatia comum a croatas e albaneses pelos sérvios. Os motivos por trás desse sentimento, porém, são distintos.
A Croácia é um dos países que surgiu a partir da dissolução da Iugoslávia, a partir de um movimento de emancipação ao qual os sérvios representavam uma das principais forças contrárias.
Já a Albânia apoiou a independência de Kosovo, território com população de maioria albanesa que esteve sob influência da Sérvia até 2008. Ainda hoje os políticos da principal potência da antiga Iugoslávia não reconhecem a emancipação do território kosovar, assim como seus aliados da Rússia.
A UEFA ainda não se pronunciou oficialmente sobre o ocorrido, mas Jovan Surbatovic, secretário-geral da Federação de Futebol da Sérvia, demonstrou ter convicção de que as federações de ambos os países envolvidos nas manifestações xenófobas serão punidas.
