Premier League se juntou a campeonatos nacionais como La Liga e Série A italiana no uso do impedimento semiautomático
Imagine uma tecnologia extremamente precisa para a identificação de impedimentos no futebol que evite que o jogo fique vários minutos paralisado para que o Árbitro Assistente de Vídeo (VAR) analise lances por diversas câmeras distintas.
Como quase todos sabem, essa ferramenta já existe. O impedimento semiautomático foi a principal novidade, em termos de arbitragem, do futebol em 2022. Ele fez parte da Copa do Mundo do Catar e, anteriormente, foi utilizado também pela UEFA em suas principais competições.
Após o sucesso da novidade na principal competição do esporte, outros campeonatos aderiram a ela. A Série A da Itália, por exemplo, já utiliza o mecanismo, a La Liga anunciou que o fará na próxima temporada e, nesta quinta-feira (11), a Premier League informou que também adotará o impedimento semiautomático a partir do segundo semestre deste ano.
“A tecnologia fornecerá um posicionamento mais rápido e consistente da linha de impedimento virtual, com base no rastreamento óptico do jogador, e produzirá gráficos de transmissão de alta qualidade para garantir uma experiência aprimorada para os torcedores no estádio e na transmissão”, afirmou a liga na nota oficial sobre a mudança para a próxima temporada.
A notícia colocou o assunto em alta e, por consequência, as dúvidas sobre o tema também. Se você quer esclarecer as principais questões e saber tudo sobre essa tecnologia revolucionária, acompanhe a leitura!
Como funciona o impedimento semiautomático?
A tecnologia do impedimento semiautomático começa nas bolas utilizadas nos jogos. Elas contam com um sensor que envia dados 500 vezes por segundo para o sistema, a fim de especificar o momento exato no qual o jogador toca na bola na origem do lance do impedimento.
A partir da identificação do primeiro ponto de contato entre a bola e o pé do atleta que deu o passe ou finalização que originou a controvérsia, há a avaliação do posicionamento dos demais envolvidos precisamente naquele momento.

Essa análise é feita rapidamente por uma inteligência artificial que recebe informações também das câmeras instaladas ao redor do estádio para o funcionamento do sistema. A tecnologia das câmeras é diferenciada e permite identificar a posição de 29 pontos distintos dos corpos dos atletas com acurácia.
Nesse cenário, a IA reúne os dados recebidos por meio dos diferentes mecanismos e assinala, na sala do VAR, se há ou não irregularidade. O resultado ainda passa pelo julgamento do árbitro da cabine e gera uma animação em 3D para ilustrar o lance para os espectadores e outros envolvidos na disputa.
Quais os benefícios do impedimento semiautomático?
Até então, os principais benefícios do impedimento semiautomático são a redução no tempo das análises e a precisão nos resultados.
Constantemente, árbitros em todo o mundo têm dificuldades de gerir a ferramenta de demarcação das linhas. Isso resulta em duas principais consequências: pausas longas e frequentes nos jogos para realizar o processo com calma ou marcações equivocadas, sem identificar os pontos de referência adequados para julgar o lance.
A inteligência artificial da nova ferramenta, aliada à tecnologia dos sensores e câmeras, consegue trazer um resultado extremamente rápido e preciso, diminuindo as margens de erro. Dessa maneira, caberá ao árbitro somente checar a análise feita pelo mecanismo.
O impedimento automático tem falhas?
Até o momento, não há notícias a respeito de falhas do impedimento semiautomático. Entretanto, é necessário fazer algumas ponderações sobre a questão.
A primeira é que, por depender da tecnologia, certamente esse sistema pode falhar caso os equipamentos não estejam funcionando da maneira adequada, seja por problemas de manutenção ou de qualquer outra natureza.

Nesse sentido, o papel do árbitro da cabine é fundamental. Cabe a ele analisar se o julgamento apresentado pela tecnologia se pautou nos parâmetros corretos. Caso haja a identificação de um erro no processo, o juiz dispõe dos recursos para checar o lance manualmente.
Outro aspecto importante a se destacar é que o impedimento semiautomático é uma ferramenta específica para analisar o posicionamento dos atletas em campo. Isso significa que ele não será solução para lances de interpretação.
Todo resultado que o sistema fornece estará subjugado à interpretação dos árbitros. Por isso, lances subjetivos, que envolvam a avaliação de uma participação ou não de atletas em impedimento, devem seguir alimentado polêmicas.
