Alemães chegam como zebra, mostram futebol para vencerem troféu, mas se tornam as mais novas vítimas da mística madridista
Os torcedores do Borussia Dortmund e os diversos simpatizantes pelo mundo sonhavam com um final feliz para o último capítulo da passagem de Marco Reus pelo clube, a decisão da Champions League 2023/24. Ainda assim, muitos consideravam que as chances não eram as maiores antes das partidas.
O campo, porém, mostrou um roteiro diferente. As chances foram muitas! Karim Adeyemi teve as duas melhores. Na primeira, driblou Thibaut Courtois, mas adiantou demais a bola e perdeu o melhor ângulo de finalização. Na segunda, chutou cruzado em vez de buscar Niclas Füllkrug livre dentro da área.
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Os alemães subiram as linhas, pressionaram a saída de bola “sem respeitar” o Real Madrid e tiveram volume ofensivo suficiente para balançar as redes. Nesse contexto, teve bola na trave e, mais uma vez, defesas que fizeram o goleiro belga um dos protagonistas durante boa parte do jogo.
As intervenções importantes do camisa em finalizações de Füllkrug e Marcel Sabitzer fizeram lembrar, em alguma medida, a atuação monumental contra o Liverpool, na final de 2022.
Paradoxalmente, quanto maiores as probabilidades se mostravam no gramado, menores elas pareciam no “feeling“. Todo mundo que acompanha futebol pensava o mesmo: o filme irá se repetir. Cada chance perdida soava como a confirmação do inevitável e a lógica se mostrou válida mais uma vez.

O Real Madrid terminou a primeira etapa com 0,09 na métrica de expected goals, enquanto o Borussia somou 1,68 no quesito. Mais uma vez, os merengues mostraram uma resiliência absurda, como ocorreu contra o Manchester City, neste ano, e em inúmeras outras decisões no passado recente (Liverpool, Chelsea, PSG, entre outros exemplos).
Dessa vez, porém, o sofrimento se encerrou de maneira menos dramática. Aos 29 minutos do segundo tempo, o improvável Daniel Carvajal abriu o placar após cobrança de escanteio de Toni Kroos e os aurinegros desmoronaram no jogo.
A partir daí, o gigante espanhol passou a acumular chances nos últimos 15 minutos e parecia questão de tempo para selar o placar contra um Borussia abalado, desesperado e, consequentemente, desorganizado.
Novamente, os merengues agiram conforme previa o roteiro e mataram as esperanças dos alemães, com um gol de Vinicius Júnior após falha clamorosa do lateral Ian Maatsen. O gol coroou toda a temporada do brasileiro, que encerra as atividades em seu clube como favorito ao prêmio de melhor do mundo.
Nos últimos anos, o Real Madrid é o exemplo vivo do lema de que não há merecimento no futebol. O maior time do mundo é o ceifador da justiça esportiva. Não importa o que você fez, se não for perfeito contra ele, suas chances são poucas.
Faz parte e por isso esse esporte é tão bonito, ainda que se torne relativamente previsível quando o time do Santiago Bernabéu faz parte da equação.
