Treinador dos bávaros alegou que o árbitro disse que não apitaria “erro infantil” e repercussão gerou inúmeras críticas
O debate após o apito final da partida entre Arsenal e Bayern de Munique, na última terça-feira (9), quase não se concentra sobre a qualidade do jogo. Mesmo após um 2 a 2 com emoção e bom nível no Emirates Stadium, o centro da discussão relacionada a partida é outro: a arbitragem.
Torcedores dos Gunners reclamam de um suposto pênalti de Manuel Neuer sobre Bukayo Saka, nos minutos finais da partida. Por outro lado, os apoiadores do Bayern reclamam de um pênalti não marcado quando o zagueiro Gabriel Magalhães pegou a bola de mão na própria área, após o goleiro David Raya cobrar o tiro de meta com o pé. Veja os dois lances na publicação abaixo no X (antigo Twitter).
O lance favorável ao time da casa tem uma discussão mais interpretativa. Alguns julgam que o contato foi forçado pelo atacante, que lança o joelho direito em direção ao goleiro. Outros apontam que o alemão cometeu falta no ponta inglês.
Em contrapartida, a avaliação do episódio incomum protagonizado por Gabriel Magalhães é praticamente unânime: o juiz Glenn Nyberg negligenciou a aplicação da regra e negou um pênalti ao Bayern.
Esse ponto de vista foi defendido por diversos jornalistas envolvidos na cobertura da Champions League, como Vitor Sérgio Rodrigues e Arthur Quezada, da TNT Sports. Mais tarde, o comentarista de arbitragem Paulo Cesar de Oliveira endossou a análise de que foi um grave erro de arbitragem.
“Em uma cobrança de tiro de meta, de acordo com a regra, a bola deve estar parada. A mesma estará em jogo quando for chutada e se mover claramente. Ao pegar a bola com a mão, após o toque do goleiro, o Gabriel Magalhães, indiscutivelmente, cometeu pênalti“, afirmou.
Justificativa controversa, aponta Tuchel

Na coletiva de imprensa, Thomas Tuchel questionou a decisão do juiz de não apontar para a marca da cal no momento da infração. Ele afirmou ter perguntado Nyberg sobre o ocorrido e que o árbitro teria dito que optou por não apitar o lance por ser um “erro infantil”.
“O que nos deixou realmente irritados foi a explicação dada em campo. Ele disse aos nossos jogadores que é um erro infantil e que não vai marcar um pênalti como esse nas quartas de final da Champions League. Esta é uma explicação horrível”, afirmou o técnico alemão.
Em sua análise, PC de Oliveira também repercutiu a alegação de Tuchel. Ele opinou que a suposta explicação do juiz é completamente descabida e que ele fugiu de sua função na partia.
“Em relação à possível justificativa do árbitro para não ter marcado o pênalti, vale ressaltar que não cabe a ele decidir se uma jogada é infantil e sim o cumprir com a regra do jogo”, opinou o comentarista, segundo o GE.
Se na mídia brasileira a repercussão do lance foi praticamente unânime, o mesmo não se repetiu em outros locais. O jornalista italiano Gabriele Marcotti, por exemplo, escreveu um texto, em seu blog na ESPN, em defesa da decisão de Nyberg.
Ele alega que o caminho justo para contextos regidos por leis não é a aplicação das normas ao “pé da letra”, de forma estrita, mas sim reforçar o espírito da lei.
