Desconfiança sobre a compra do Everton por grupo norte-americano cresce e outros negócios da companhia também podem ser afetados
No último sábado (4), o mundo do esporte viu uma bomba surgir nos noticiários: a acusação de fraude movida contra a 777 Partners. A ação corre na justiça dos Estados Unidos, país da matriz da companhia.
Entre participações majoritárias e minoritárias, a empresa norte-americana é acionista de seis times de futebol em diferentes países: Vasco (Brasil), Hertha Berlin (Alemanha), Standard Liege (Bélgica), Estrela Vermelha (Sérvia), Sevilla (Espanha) e Melbourne Victory (Austrália).
Desde setembro de 2023, a companhia tenta concluir a compra do Everton e expandir seu conglomerado esportivo para a Premier League, tida por muitos como a principal liga nacional de futebol do mundo, na atualidade.
À época, o anúncio do acordo apontava que a transação, por 94,1% das ações dos Toffees, foi fechada em £ 550 milhões, o equivalente a R$ 3,5 bilhões na cotação atual da libra esterlina. Cerca de oito meses depois, a liga ainda não aprovou a operação.
Agora, de acordo com o The Athletic, a denúncia por fraude contra a 777 Partners pode culminar no colapso total da compra do Everton. A empresa britânica Leadenhall Capital Partners foi quem moveu a ação que gerou o que pode ser um dos maiores escândalos da história recente do esporte.
Segundo a companhia do Reino Unido, para conseguir empréstimos, a instituição liderada por Josh Wander forneceu garantias que não existiam, não pertenciam ao grupo ou que já haviam sido fornecidas para viabilizar outras operações.

A Leadenhall aponta que, no total, a dívida da 777 está próxima de US$ 600 milhões, isto é, pouco mais de R$ 3 bilhões. A denúncia aponta que existe ainda um débito de cerca de US$ 2 bilhões (R$ 10 bilhões) com a Advantage Capital Holdings, a A-Cap. No entanto, a tese da ação é que esta última parte está envolvida nas fraudes.
Detalhes da acusação de fraude sobre a 777 Partners e as nuances no Brasil
A tese da acusação é de que a 777 Partners criou uma espécie de “esquema bola de neve“. O grupo norte-americano comprava equipes de futebol e outras empresas sem os recursos para tal e utilizava as corporações como garantias para viabilizar outras operações.
Nesse sentido, a A-Cap seria a responsável por fornecer o capital para as transações da companhia norte-americana. A empresa seria a única a ter garantias seguras sobre os bens dos empreendimentos de Josh Wander e teria parte crucial no sucesso do esquema.
Em resposta ao The New York Times, a A-Cap negou qualquer vínculo de propriedade com a 777. De acordo com eles, assim como a Leadenhall, eles são apenas credores dos negócios do grupo.
No Brasil, a gestão da empresa sobre o Vasco é extremamente controversa. Além do fracasso esportivo, há uma crescente desconfiança sobre a estabilidade e segurança da companhia sediada nos Estados Unidos.
No mês passado, o ex-jogador Pedrinho, presidente do clube associativo, solicitou à 777 a apresentação de garantias financeiras de fará o aporte de R$ 270 milhões, previsto para setembro deste ano.
