Jogador tem melhor marca de minutos por gol da carreira e tem se tornado cada vez mais protagonista do gigante espanhol
Nesta terça-feira (19), o jornal espanhol AS destacou a mudança de função que Vinicius Junior tem vivido pelo Real Madrid, a partir da iminente chegada de Kylian Mbappé. Além da aproximação entre o clube e o francês, a matéria relaciona o novo papel do brasileiro na equipe com a queda do número de gols de Jude Bellingham, além da sua ausência durante alguns jogos no ano de 2024.
Desde o início da temporada, o camisa 7 tem atuando em posição diferente. Na ausência de um centroavante tarimbado, Carlo Ancelotti escalou o brasileiro junto a Rodrygo em uma dupla de ataque, em uma espécie de 4-4-2 com losango no meio-campo.
Esse cenário fez com que Vinicius tivesse cada vez mais liberdade, e até uma certa obrigação, de aparecer mais na área. O resultado do novo estilo proposto pelo técnico italiano é uma versão cada vez mais goleadora do atleta, que se mostra à vontade para deixar a ponta esquerda e se tornar uma opção ofensiva por dentro, sobretudo atuando em dupla.

Sua marca atual é de um gol marcado a cada 128 minutos. É o melhor registro de sua carreira. Nas duas temporadas anteriores, por exemplo, sua média era de 194 e 207 minutos para balançar as redes.
“Esta temporada é a confirmação de que sua transformação de extremo especialista a um atacante total é um fato. Não é uma questão pequena, já que a muito provável chegada de Mbappé a Madri obrigará o brasileiro a trazer essa versatilidade quando o francês aparecer na esquerda”, escreveu o jornalista.
Opinião: “nova versão” de Vini não soluciona a questão tática
Ancelotti é um técnico que se mostra cada vez mais entendedor do jogo ano a ano. Sem um centroavante de elite, ele adaptou seu time para ter os melhores em campo e formou uma estrutura coesa e eficiente.
Minha leitura é de que, no momento, a mudança de função de Vinicius para o “modo 9”, como colocou o AS, tem muito mais relação com o presente do clube do que com a futura vinda de Mbappé, ainda que essa adaptação aponte um caminho para o encaixe da dupla na próxima temporada.
No entanto, a chegada do francês ao futebol espanhol ainda deve supor mais algumas dificuldades. O brasileiro, por mais que esteja atuando cada vez mais por dentro, ainda costuma flutuar muito pelo lado esquerdo. O setor é seu ponto de partida. Os mapas de calor, inclusive, mostram a semelhança nas movimentações de ambos os jogadores.

Com Kylian desconfortável para atuar como nove, é possível projetar um revezamento e uma concentração de poder de fogo no lado esquerdo, com os dois revezando e abrindo espaço um para o outro, na melhor das hipóteses. Nesse caso, a preocupação tende a ir para o lado direito.
Na estrutura do 4-4-2 com losango, quem cederá a vaga para o francês será Rodrygo, até mesmo por questões de equilíbrio defensivo. Nesse cenário, tende a ser Federico Valverde quem ocupará o lado direito e ele precisará se desdobrar para ocupar uma faixa de campo tão extensa, atacando e defendendo.
É algo que o uruguaio já se demonstrou capaz, mas a exigência física sobre ele tende a ser alta e gera alguma preocupação pela extensão das temporadas de times mais competitivos como o Real Madrid.
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