Ação policial faz parte da política de tolerância zero de provocações relacionadas a desastres do futebol inglês
A Polícia da Grande Manchester (GMP) confirmou, no último domingo (17), que realizou a prisão de torcedor do Manchester United no contexto do clássico contra o Liverpool, disputado em Old Trafford.
O motivo da detenção do fã dos Red Devils foi sua participação em “cânticos de tragédia” entoados pelos apoiadores da equipe mandante. O comunicado oficial da polícia e a notícia do portal The Athletic não especificam o número de pessoas presas, mas sabe-se que ao menos uma foi detida.
“Incidentes de ‘cânticos de tragédia’ não serão tolerados e serão tratados com firmeza. Todos conhecemos adeptos que zombam de seus adversários nos jogos de futebol, mas isto geralmente é feito com bom humor e sem ofensas”, diz parte da nota oficial da GMP.

Os “cânticos de tragédia” citados pela polícia são canções das torcidas rivais do Liverpool que zombam do Desastre de Hillsborough, ocorrido em 1989. O incidente resultou no falecimento de 97 fãs dos Reds. Nas músicas, os torcedores do time de Anfield são chamados de assassinos e vitimistas.
Após a prisão do torcedor do Manchester United, a Football Association — a federação inglesa de futebol — afirmou que está “determinada a acabar com este comportamento”.
O desastre de Hillsborough
O desastre de Hillsborough ocorreu em 15 de abril de 1989, numa partida entre Nottingham Forest e Liverpool, pela FA Cup. O Estádio de Hillsborough, pertencente ao Sheffield Wednesday, não tinha infraestrutura para receber a disputa e o resultado foi uma tragédia histórica.
Com uma catraca ativa para controlar a entrada de cerca de 10 mil pessoas, a arquibancada que funcionaria como uma espécie de “geral” para a torcida do Liverpool se tornou um local inabitável. A concentração de pessoas desde a entrada gerou situações de “empurra-empurra” em um ambiente praticamente inabitável com tanta gente.

O resultado foram 95 mortes naquele mesmo dia, com pessoas asfixiadas e esmagadas contra a grade que separava a arquibancada do gramado. Outras duas mortes ocorreram anos depois, ainda relacionadas às sequeles do incidente. Também houveram 766 pessoas feridas em função do desastre.
Inicialmente, a torcida do próprio Liverpool foi culpada pelo ocorrido, em um contexto histórico muito marcado pelo hooliganismo e as brigas provocadas por torcedores ingleses. Posteriormente, investigações mostraram que autoridades locais e dirigentes do clube negligenciaram os problemas estruturais do estádio e foram os principais responsáveis pela tragédia.
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