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Ativista, capitão da Nigéria fala sobre desastre no RS e cobra: “Adoraria um Neymar falando desse tópico”

Jogador acredita ser responsável pela primeira negociação da história do futebol neutra em termos de emissão de carbono

Eleito o melhor jogador da última edição da Copa Africana de Nações, William Troost-Ekong não é um nome muito conhecido no mundo do futebol. Aos 30 anos, o zagueiro defende o PAOK, da Grécia, após passagens por times de Holanda, Inglaterra e Itália.

Em função de uma lesão muscular, o nigeriano não entra em campo desde fevereiro. Em contrapartida, se não pode se manter ativo nos gramados, ele busca seguir atuante na parte extracampo.

O defensor é basicamente um ativista no universo do esporte. Ele tenta utilizar a visibilidade inerente a sua área de atuação para amplificar o alcance da mensagem sobre a importância de diminuir o impacto antrópico sobre o aquecimento global e as mudanças no clima no planeta.

Em entrevista ao Globo Esporte, Troost-Ekong enfatizou como seu alcance é pequeno comparado a de outras superestrelas do futebol e como seria importante que atletas como Neymar ajudassem a dar vazão ao tema da crise climática.

“Tenho uma audiência pequena. Sou um privilegiado por jogar pela minha seleção. Mas adoraria um Mbappé, Neymar, Haaland ou outro jogador mundial falando mais sobre esse tópico”, afirmou o zagueiro.

Nigeria v Ivory Coast - TotalEnergies CAF Africa Cup of Nations Final
Photo by Visionhaus/Getty Images

No diálogo, o capitão da Nigéria também abordou diretamente o desastre que tem ocorrido no Rio Grande do Sul. Ele relatou que tem tentado ajudar às pessoas, mas destacou a importância de utilizar o episódio para entender a gravidade da questão climática.

“Quero dizer que estou pensando em todos no Brasil, estou tentando fazer o melhor para ajudar. Acho que é um sinal, talvez uma lição dessa situação terrível, de que devemos pensar mais sobre o futuro. Não queremos que isso aconteça de novo”, disse o atleta.

Transferências sem impacto ambiental

Em junho de 2023, Troost-Ekong deu entrevista ao The Guardian, da Inglaterra. Na conversa, o atleta, que volta ao Watford após empréstimo à Salernitana, da Itália, falou sobre sua luta contra a poluição atmosférica e as consequências dessa questão sensível.

O nigeriano revelou que acredita ter sido responsável pela primeira transferência com neutralidade de carbono na história do futebol. À época, para compensar a emissão de poluentes gerada por sua ida ao Calcio, ele destinou parte dos recursos da transação para a plantação de oliveiras na cidade de Salerno.

“Sempre há muito dinheiro envolvido em uma transferência. Seria bom que parte disto, na verdade, uma pequena quantia, fosse utilizada como padrão para tornar a transferência neutra para o clima. Este deveria ser o objetivo de todos os jogadores e clubes”, relatou.

O defensor citou atletas como Ben Mee, zagueiro do Brentford, e John Bostock, meia do Notts County, como companheiros de profissão que também se preocupam com a questão climática.

Ainda assim, as escassez de exemplos deixa claro como é justificável a visão de Troost-Ekong sobre a importância de nomes influentes como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar abordarem o tema.